segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Obsolescência do diálogo

          Às vezes me pergunto se a palavra Bullying não passou a existir como um pretexto para os pais se afastarem cada vez mais dos filhos. Não é a primeira vez que escuto gente mais experiente dizendo que o "bullying" em si sempre existiu. E isso nunca foi um problema muito grande já que a família de antigamente era mais sólida e unida. 
      Já faz um tempo que o mundo faz campanhas contra isso. Já faz um tempo que escolas tiram um dia  ou até uma semana para promover palestras e debates sobre esse tema. Os alunos colam adesivos "anti-bullying" uns nos outros, fingindo se divertir com todo aquele momento de confraternização. No fundo as instituições de ensino sabem que eles só estão se divertindo pois querem mais é perder aula mesmo. Mas quem se importa com isso, não é mesmo? O que vale é a escola se sentir com a consciência tranquila, com a sensação de missão cumprida. Missão essa que os pais fazem questão de jogar no ombro das escolas, afinal, pagam tão caro pelas mensalidades. 
        No fim, isso tudo é um jogo de culpa. E tem menos culpa quem tem mais dinheiro. Pelo menos todo mês alguma marca de eletrônicos lança um produto novo no mercado. E pelo menos todo mês um menino que apanhou ou foi humilhado pelos coleguinhas ganha esse novo produto como um prêmio de consolação. 
      Uma criança não pode de forma alguma viver no meio do silêncio, ainda mais nessa fase cheia de "por que's". Fase em que toda a sua formação mental depende unicamente daqueles que dela cuidam. Nada substitui o valor de um bom diálogo. Nenhuma tecnologia substitui aquela sensação de se sentir amado ao fingir estar dormindo no sofá da sala só para ser levado no colo até o seu quarto. 
      Já apanhei muito na infância, e eu revidava. Tive uma educação de não levar desaforo para casa e creio que muita gente foi criada do mesmo jeito. É claro que essa não é a melhor forma de resolver as coisas, mas levar desaforo para casa é como alimentar um tumor dentro do seu cérebro até que um dia ele explode. E é a partir desse tumor alimentado desde criança que surge o adolescente pronto para matar aqueles que o humilharam e até inocentes. 
      Antes que isso pareça um discurso comunista de boteco, deixo claro que o problema não é o capitalismo. Penso que o problema está no uso que certos adultos fazem desse sistema. Trabalhar é essencial, e é admirável que você queira fazer o possível financeiramente para sua família. Contudo, se isso começa a interferir nas relações interpessoais, aí já começa a ficar preocupante. 
       Enfim, não sou nenhum psicólogo, não sei muito da vida, muito menos o que é certo ou errado. Mas ter família é opcional, e já que essa escolha foi feita, é obrigação dos pais cultivá-la  para que renda bons frutos no futuro. Não dá mais para ficar confortável perante uma realidade onde adultos preguiçosos sem noção de responsabilidade jogam seus filhos na escola como se estivessem varrendo a sujeira  para de baixo do tapete.

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