terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Condenados por viver


Cegos, imaturos, cheios de energia.
Acreditamos, dizemos sim pra quase tudo.
Protestamos pois é perda de tempo ser mudo,
num mundo onde é sofrido viver dia após dia.



sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Comércio de milagre

Foi semana que vem que eu a vi.
Muito frio, cheia de roupa, cabelo preso.
Ela mal sabia que prendia seu cabelo
pra ter algo com o que se identificar.

Nem a chuva a impede de ir atrás
do comércio de milagre.
Então ela grita por revolução e 
só pra chamar atenção
pede um amor mais extinto que tigre dente de sabre.


Mais um entre tantos

- Por que essa cara?
- Perdi um texto.
- Perdeu onde?
- Não sei.
- Como não sabe?
- É que ele não foi escrito, só pensado.

Nem vi passar

Se o Tempo fosse palpável
poderia se materializar em areia,
é incrível como escapa facilmente entre seus dedos.


Ele some tão de repente que ninguém
nunca vê, ninguém nunca entende.
Mas seguimos em frente, com calma
e sem medos.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

"Eu voltei para Maio de 1937"



"Vejo meus pais parados no baile de formatura da faculdade.
Vejo meu pai vagando sob o arco de granito ocre...
As telhas vermelhas luzindo feito placas de sangue atrás de sua cabeça.
Vejo minha mãe abraçando alguns livros leves, parada ao pé do pilar de tijolinhos...
Com os portões de ferro batido ainda abertos atrás dela,
com suas lanças negras no ar de maio.
Eles vão se formar.
Eles vão se casar. São crianças, são tolos.
Só sabem que são inocentes, que nunca machucariam ninguém.
Quero ir até eles e dizer:
- “Parem, não façam isso.
Ela é a mulher errada, ele é o homem errado.
Vocês farão coisas que nunca imaginariam fazer.
Farão coisas ruins com seus filhos.
Vão sofrer de modos que nunca ouviram falar.
Vão querer morrer.”

Quero ir até eles sob o sol de fim de maio e dizer isto.
Mas eu não vou.
Quero viver.
Pego os dois como bonecos de papel de homem e mulher
 e os esfrego pelo quadril feito lascas de pederneira para tirar faíscas deles.
Eu digo:
- Façam o que têm de fazer, e eu lhes direi tudo"

(Sharon Olds)