segunda-feira, 27 de agosto de 2012

domingo, 26 de agosto de 2012

Pedaços de pano


Durmo com pouca roupa, ainda mais quando faz calor. Gosto de deixar meu tecido epitelial respirar, já que eu mesmo não consigo mais. Mas nessa noite eu puxei alguns pedaços de pano pra mim. Numa altura razoável pra não morrer sufocado e suficiente pra criar a ilusão da sua companhia. Quando a  claridade tocou a janela, eu acordei. E então me deparei com  uma situação que seria cômica se não fosse trágica. Eu estava dormindo de conchinha com o edredom. Aí está a injustiça da vida. Quando achamos que estamos caminhando bem, vem o inconsciente e joga uma pedra no caminho para tropeçarmos. No entanto, aposto que com ela está tudo bem. E é melhor que seja assim, o mundo não precisa de mais pessoas passando por isso.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Obsolescência do diálogo

          Às vezes me pergunto se a palavra Bullying não passou a existir como um pretexto para os pais se afastarem cada vez mais dos filhos. Não é a primeira vez que escuto gente mais experiente dizendo que o "bullying" em si sempre existiu. E isso nunca foi um problema muito grande já que a família de antigamente era mais sólida e unida. 
      Já faz um tempo que o mundo faz campanhas contra isso. Já faz um tempo que escolas tiram um dia  ou até uma semana para promover palestras e debates sobre esse tema. Os alunos colam adesivos "anti-bullying" uns nos outros, fingindo se divertir com todo aquele momento de confraternização. No fundo as instituições de ensino sabem que eles só estão se divertindo pois querem mais é perder aula mesmo. Mas quem se importa com isso, não é mesmo? O que vale é a escola se sentir com a consciência tranquila, com a sensação de missão cumprida. Missão essa que os pais fazem questão de jogar no ombro das escolas, afinal, pagam tão caro pelas mensalidades. 
        No fim, isso tudo é um jogo de culpa. E tem menos culpa quem tem mais dinheiro. Pelo menos todo mês alguma marca de eletrônicos lança um produto novo no mercado. E pelo menos todo mês um menino que apanhou ou foi humilhado pelos coleguinhas ganha esse novo produto como um prêmio de consolação. 
      Uma criança não pode de forma alguma viver no meio do silêncio, ainda mais nessa fase cheia de "por que's". Fase em que toda a sua formação mental depende unicamente daqueles que dela cuidam. Nada substitui o valor de um bom diálogo. Nenhuma tecnologia substitui aquela sensação de se sentir amado ao fingir estar dormindo no sofá da sala só para ser levado no colo até o seu quarto. 
      Já apanhei muito na infância, e eu revidava. Tive uma educação de não levar desaforo para casa e creio que muita gente foi criada do mesmo jeito. É claro que essa não é a melhor forma de resolver as coisas, mas levar desaforo para casa é como alimentar um tumor dentro do seu cérebro até que um dia ele explode. E é a partir desse tumor alimentado desde criança que surge o adolescente pronto para matar aqueles que o humilharam e até inocentes. 
      Antes que isso pareça um discurso comunista de boteco, deixo claro que o problema não é o capitalismo. Penso que o problema está no uso que certos adultos fazem desse sistema. Trabalhar é essencial, e é admirável que você queira fazer o possível financeiramente para sua família. Contudo, se isso começa a interferir nas relações interpessoais, aí já começa a ficar preocupante. 
       Enfim, não sou nenhum psicólogo, não sei muito da vida, muito menos o que é certo ou errado. Mas ter família é opcional, e já que essa escolha foi feita, é obrigação dos pais cultivá-la  para que renda bons frutos no futuro. Não dá mais para ficar confortável perante uma realidade onde adultos preguiçosos sem noção de responsabilidade jogam seus filhos na escola como se estivessem varrendo a sujeira  para de baixo do tapete.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012


"Wouldn't it be nice if we could wake up
in the morning when the day is new?
And after having spent the day together
hold each other close the whole night through."


A época de uma música não importa, o que importa é que a mensagem se encaixa em qualquer geração.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Ausência de sintonia


             Sem muito o que dizer ele foi atrás dela. Não teve dficuldades para encontrá-la, estava no cômodo ao lado. Mas não importa, a distância era imensa. Nenhum engenheiro seria capaz de construir uma ponte entre os dois. Nada amenizava aquela teimosia, nem mesmo alguns beijos no ombro combinados com abraços repentinos por trás. As poucas palavras ditas por ela caíam como bombas, doíam como gotas de limão entrando na ferida. Ela parecia suplicar por uma fuga. A aparente delicada menina mulher queria fugir dele. Mas ele não saiu de perto. Sabia que para mulheres as coisas funcionam ao contrário. E ela odiava isso. Odiava ter alguém que a conhecesse melhor que ela mesma. A necessidade de ser independente de tudo e de todos era tanta que qualquer resquício de carinho era deixado de lado. Cada traço de sentimento que surgia era jogado no lixo, não queria se tornar vulnerável. Não era a relação ideal, não eram um casal bonito para os outros, mas pra ele sim. Ele ainda cuidava dela, sem querer nada em troca, mas com a esperança de um possível reconhecimento. Tinha a mesma esperança que uma criança tem quando acredita que aquele filhote de passarinho machucado encontrado no chão possa voar novamente algum dia. Mas ela nunca cedeu e então ele cansou. Nunca desistiu, só cansou de insistir. E ela? Continua por aí. Fugindo de si mesma, sendo capaz de congelar qualquer cerveja só de segurar o copo.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Boa Noite



Como é bom escrever no fim de um dia cansativo, quando a madrugada está pra cair e o barulho do silêncio predomina. Nessa ocasião as palavras saem mais verdadeiras dos seus dedos. Não existe mais aquela razão que nos atormenta desde que deixamos de ser criança. Não há nada útil pra pensar, sua mente já não funciona. Seus olhos ficam pesados. Os reflexos já sumiram faz tempo, mas um sutil equilíbrio ainda está ali. Está ali para te ajudar a segurar a caneta e só. É tão difícil pensar nessa hora que a caneta deixa de ser um objeto e se torna um animal a ser domesticado. No começo é difícil de lidar mas depois já viram melhores amigos. E quando a voz da cama te chamar para dormir, é hora de parar. Vá se deitar. Mas antes certifique-se de que está com uma boa aparência, afinal nunca se sabe quem vai encontrar no seus sonhos.

Utopia


Em um mundo paralelo eu vejo monstros correndo felizes por aí. Eles passeiam com suas famílias. As crianças estão contentes com seus pais. A ganância pra esses monstros não existe porque eles conhecem o amor. Eles não se surpreendem com truques de mágicos nos bares, e nem com grandes apresentações de ilusionismo. E sabe por que? Porque eles vêem magia em cada momento do dia. Cada queda de uma folha de árvore no chão para esse povo é um espetáculo. Não brigam por motivos religiosos. Eles não possuem religião. Mas são dotados de uma fé que os torna sábios. Eles pensam com o coração. No mundo deles tudo é calmo. Mas quer causar um caos em suas vidas? Quer magoá-los profundamente? Chame-os de seres humanos.