Sem muito o que dizer ele foi atrás dela. Não teve dficuldades para encontrá-la, estava no cômodo ao lado. Mas não importa, a distância era imensa. Nenhum engenheiro seria capaz de construir uma ponte entre os dois. Nada amenizava aquela teimosia, nem mesmo alguns beijos no ombro combinados com abraços repentinos por trás. As poucas palavras ditas por ela caíam como bombas, doíam como gotas de limão entrando na ferida. Ela parecia suplicar por uma fuga. A aparente delicada menina mulher queria fugir dele. Mas ele não saiu de perto. Sabia que para mulheres as coisas funcionam ao contrário. E ela odiava isso. Odiava ter alguém que a conhecesse melhor que ela mesma. A necessidade de ser independente de tudo e de todos era tanta que qualquer resquício de carinho era deixado de lado. Cada traço de sentimento que surgia era jogado no lixo, não queria se tornar vulnerável. Não era a relação ideal, não eram um casal bonito para os outros, mas pra ele sim. Ele ainda cuidava dela, sem querer nada em troca, mas com a esperança de um possível reconhecimento. Tinha a mesma esperança que uma criança tem quando acredita que aquele filhote de passarinho machucado encontrado no chão possa voar novamente algum dia. Mas ela nunca cedeu e então ele cansou. Nunca desistiu, só cansou de insistir. E ela? Continua por aí. Fugindo de si mesma, sendo capaz de congelar qualquer cerveja só de segurar o copo.
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