Apertar a pele com a unha. E quando não tem unha, apertar a pele com toda a força do mundo para aliviar a dor daquela picadinha da vacina que tomamos quando criança. Ficar inconsolável com o término de um relacionamento. Colocar na cabeça que nunca mais vai se envolver com ninguém. Mas na semana seguinte já se sente bem por ocupar a cabeça pensando o tempo todo numa nova pessoa. Se envolveu outra vez. Ingenuidade nossa achar que promover uma dor para aliviar a anterior é questão de fase e logo passa. Aliás, é questão de fase sim. E essa transferência de dor está presente em cada fase da nossa vida, em todos os sentidos.
Cada dor deve ser sentida por inteiro para que possa aprender com as lições vindas dela. Nada substitui nada, substituição é uma forma de alienação. A dor deve ser curtida. Sentida. Digerida. Compreende-la é o primeiro passo após compreender a si mesmo(a).
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