terça-feira, 25 de setembro de 2012

Transferência

Apertar a pele com a unha. E quando não tem unha, apertar a pele com toda a força do mundo para aliviar a dor daquela picadinha da vacina que tomamos quando criança. Ficar inconsolável com o término de um relacionamento. Colocar na cabeça que nunca mais vai se envolver com ninguém. Mas na semana seguinte já se sente bem por ocupar a cabeça pensando o tempo todo numa nova pessoa. Se envolveu outra vez. Ingenuidade nossa achar que promover uma dor para aliviar a anterior é questão de fase e logo passa. Aliás, é questão de fase sim. E essa transferência de dor está presente em cada fase da nossa vida, em todos os sentidos.

1 comentário:

  1. Cada dor deve ser sentida por inteiro para que possa aprender com as lições vindas dela. Nada substitui nada, substituição é uma forma de alienação. A dor deve ser curtida. Sentida. Digerida. Compreende-la é o primeiro passo após compreender a si mesmo(a).

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