Num final de semana comum houve
uma festa, daquelas feitas em casa, mas nada caseiras. Fui acompanhado de amigos, mas não permaneci
com eles. Cada um sempre vai pra um canto reviver seu lado primitivo. Nunca fui
muito disso então me deixei envolver pela música. Havia uma menina próxima a
mim dançando de um jeito que me fazia rir. Não ri porque era engraçado. Na
verdade fiquei surpreso com sua impecável maneira de comunicação apenas com
alguns movimentos, então acabei interagindo com ela só com linguagem corporal. Num
determinado momento ambos decidiram parar. Começamos a conversar, mas não me
lembro de nada a respeito de quem falou primeiro. Nos sentamos em um sofá, e
isso foi ótimo, já que ela era relativamente baixinha e eu tinha que inclinar
muito o olhar para lhe dirigir a palavra. Desde então a conversa fluiu, e de um
jeito estranho. Em aproximadamente 20 minutos dialoguei sobre existencialismo
com uma estranha que parecia me conhecer há anos. Que tipo de jovem se sente
tão entediado ao ponto de gastar minutos de uma festa para tratar de tal
assunto? Nunca me imaginei conversando sobre isso em tal ambiente, afinal todo
assunto tem seu momento apropriado. Mas mesmo beirando 4 da madrugada aquela
parecia ser a hora perfeita. Aquela baixinha desconhecida definitivamente havia
despertado mil dúvidas na minha cabeça. O diálogo acabou de forma ruim. Fomos
interrompidos por uma amiga minha que dizia precisar de ajuda para levar uma
pessoa embora. Voltei para casa atormentado com a pessoa passando mal e nem me
dei conta de que tinha deixado a baixinha no mesmo lugar. Só no dia seguinte,
quando me recordei daquela menina, que percebi que eu não sabia seu nome e nada
sobre ela. Curioso, a descrevi para algumas pessoas presentes no local e
perguntei se alguém sabia dela. Não obtive nenhuma informação. Com isso tudo me
perguntei “Será que naquela madrugada eu realmente tinha conversado com alguém
ou me perdi dentro de um interior que eu havia criado? E se houve esse lugar
onde me perdi, de onde surgiram as dúvidas que percorrem minha cabeça neste
momento?”
Mistério? Talvez.

Thiago?
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