terça-feira, 6 de setembro de 2011

Fora do chão



Num final de semana comum houve uma festa, daquelas feitas em casa, mas nada caseiras.  Fui acompanhado de amigos, mas não permaneci com eles. Cada um sempre vai pra um canto reviver seu lado primitivo. Nunca fui muito disso então me deixei envolver pela música. Havia uma menina próxima a mim dançando de um jeito que me fazia rir. Não ri porque era engraçado. Na verdade fiquei surpreso com sua impecável maneira de comunicação apenas com alguns movimentos, então acabei interagindo com ela só com linguagem corporal. Num determinado momento ambos decidiram parar. Começamos a conversar, mas não me lembro de nada a respeito de quem falou primeiro. Nos sentamos em um sofá, e isso foi ótimo, já que ela era relativamente baixinha e eu tinha que inclinar muito o olhar para lhe dirigir a palavra. Desde então a conversa fluiu, e de um jeito estranho. Em aproximadamente 20 minutos dialoguei sobre existencialismo com uma estranha que parecia me conhecer há anos. Que tipo de jovem se sente tão entediado ao ponto de gastar minutos de uma festa para tratar de tal assunto? Nunca me imaginei conversando sobre isso em tal ambiente, afinal todo assunto tem seu momento apropriado. Mas mesmo beirando 4 da madrugada aquela parecia ser a hora perfeita. Aquela baixinha desconhecida definitivamente havia despertado mil dúvidas na minha cabeça. O diálogo acabou de forma ruim. Fomos interrompidos por uma amiga minha que dizia precisar de ajuda para levar uma pessoa embora. Voltei para casa atormentado com a pessoa passando mal e nem me dei conta de que tinha deixado a baixinha no mesmo lugar. Só no dia seguinte, quando me recordei daquela menina, que percebi que eu não sabia seu nome e nada sobre ela. Curioso, a descrevi para algumas pessoas presentes no local e perguntei se alguém sabia dela. Não obtive nenhuma informação. Com isso tudo me perguntei “Será que naquela madrugada eu realmente tinha conversado com alguém ou me perdi dentro de um interior que eu havia criado? E se houve esse lugar onde me perdi, de onde surgiram as dúvidas que percorrem minha cabeça neste momento?”

Mistério? Talvez.

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